quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O VOTO DE CADA CIDADÃO BRASILEIRO É COISA SÉRIA GENTE !


O caso Jardel e o voto camiseta


Jardel jamais apresentou condições de ser deputado.
A sua eleição é um caso de escola das distorções da democracia.
Foi escolhido candidato por um partido em busca de um puxador de votos.
É um problema do sistema eleitoral.
Foi bancado por quem queria conseguir um emprego para o goleador em crise pessoal.
Foi eleito por quem gostaria de agradecer pelos gols que fez como centroavante.
É o voto camiseta.
Até o presidente gremista Fábio Koff, homem de luzes, colaborou para isso. Queria ajudar o ídolo tricolor e trancar a estrada do seu adversário político, o deputado Paulo Odone.
O voto camiseta é uma aberração com qualquer cor. Vermelha ou azul.
Não se trata de impedir jogador de futebol de concorrer.
Eu votaria, talvez, no Alex, aquele que se aposentou no Coritiba. Nem sem qual é a sua ideologia. Cito-o para lembrar um cara inteligente, arguto, articulado, informado, preocupado com problemas da sua área e do país, um homem atento ao seu entorno.
O caso Jardel revela muitas coisas. O Ministério Público mostrou a sua face nada republicana. Favoreceu escancaradamente uma empresa de comunicação em detrimento das outras. A abordagem na casa do deputado foi feita, sob a proteção do MP, pelo repórter da RBS.
Quem o avisou do horário da operação? Havia um promotor no local.
O MP tem algum convênio com a RBS?
Uma das técnicas do MP é a espetacularização das suas operações como mecanismo de condenação prévia. Volta e meia, a justiça arquiva tudo por falta de provas.
Aí o MP silencia.
Em outros países, o MP seria investigado e certamente punido por comportamento antirrepublicano, favorecimento e atitude inadequada em procedimento profissional.
Jardel poderá entrar com um processo contra a RBS.
Foi submetido a constrangimento com autorização do MP.
As imagens são claras. O MP entra no apartamento de Jardel e deixa a porta aberta para atuação do jornalista parceiro. O promotor silencia enquanto a abordagem é feita pelo repórter.
Finalmente Jardel fecha a porta com uma frase sintomática: “Você já fez a sua matéria”.
Jardel teve o seu mandato suspenso sem ser preso. Delcídio Amaral está na cadeia e continua senador. O Brasíl é um mosaico de contradições que os juristas tentam explicar e justificar.
Jardel como deputado é o produto da sociedade do espetáculo, o triunfo da visibilidade sobre a transparência, a hegemonia da paixão, o ocaso da racionalidade, a vitória da fama.
Foi eleito para ganhar uma grana com a qual se manter.
Entrou no jogo. Achou que podia cavar uns pênaltis para levar mais vantagens.
Tomou amarelo. Persistiu. Vai levar o vermelho.

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